SEDENTA

Lábios húmidos,
sedentos,
Quais careço de tomar.
E deslizar no teu desejo,
Em fantasia ,
Em agonia no cosmos estrelar.
Viagem com ida para não mais voltar.
Em ti me impregnar.
No risco,
No mistério,
No perigo que é respirar junto o mesmo ar.

SUBTERRÂNEO

Vou andando com o pé no magma,
Vou andando de olhos fechados
E sentidos [extintos abertos]
Porta com uma volta só de chave,
Tentando se proteger,
Porém, com o desejo de liberdade,
com o desejo de crer.
Mão na fechadura
Na expectativa do correr...
Para águas tranquilas.
para o bucólico que há em você.
Mas, estou na terra dura,
Sol quente qual escalda o meu ser.
Volto a realidade ...
Mão na fechadura na espectava de correr.

ATMOSFERA


Atmosfera trasparente
Nós sabemos...
Tudo aqui é cândido.
Não percamos tempo com conversas
que não nos leve a algum lugar.
Vamos tão logo ao enfim.
O que quero de você?
O que você quer de mim?
Para quê prolongar o tempo?
Com joguinhos,
Analogias,
Alegorias...
Vamos viver o agora rapidamente.
Porque com a dispersão o tempo passa
E assim vem o final.
E quando caímos em nós estamos mortos.

AMOR


Amor, este inquieto
deveras sapeca,
Não desiste,
Não morre na praia.
Amor, este agoniado que
resiste até chegar ao enfim.
Amor, nasce, cresce e vai buscar nele
mesmo o desfecho final.

ANGUSTIA


Mar,
Montanhas.
Um frio na pele.
Um arrepio nas entranhas.
Uma tristeza tamanha que não há como explicar.
Que desfigura o meu rosto, constrange a minha alma.
Mas, a angustia será diluída ao vento.

ALVO


Não sei me enganar
Não sei mentir
Não alimento a minha esperança com ilusão.
Não quero como outrora vê-la despedaçada pelo chão.
Sei qual é a porção que me cabe.
Sei qual é o meu alvo.
E há vários caminhos até chegar a ele.
Vales, montanhas, desertos.
Mas, há um alvo.
E é nele que minha esperança está fitada.

ME DEIXE


Pessoas ame tocar...
Um erro seu deliberou a partida
Solidão neste momento é o que tenho nessa vida,
Não sei como viver,
Deixe-me viver!
Ainda que eu esteja partida ao meio
Com tua ida,
Despedida...
Deixe-me viver.

COMIDA EM CONSERVA


Estou dentro do frasco,
Da lata em conserva,
E lá também neva.

WIND


Wind that blows on my curls.


Wind that blows on the worry of my soul to places
that i have never gone.
Wind that undresses me .
Wind that refreshes me.
And takes me to fly,
Do became a bird that sing.
Strong wind.
[light]
[Breeze]

DILUIR

Tudo se dilui



Tudo passa,


deteriora-se virando vento.


Pessoas envelhecem


Viram lembranças nas cabeças antigas.


Mas as gerações se justapõem.


E tudo que foi vivido transforma-se


Em não existente.


Em transparente


Em inconsciente.


Em não lembrar.

AO RIO DE JANEIRO






BARULHOS NO CHÃO,
EU ESTOU TENDO UMA VISÃO.
QUE MUITOS LÁ NO SUL ENTERRADOS VIVOS ESTÃO.
CAIXÃO QUILOMÉTRICO.
CASAS EM DETERIORIZAÇÃO,

A TERRA ROLOU E UM SUSPIRO LÁ NO FUNDO SAIU.
E ESCAVANDO COM SUAS PRÓPRIAS MÃOS ELES ESTÃO.
FORMANDO TUMBAS AO SERENO.
E O POBRE MAIS UMA VEZ É CULPADO
[E CRIMINALIZADO ELES SÃO]
E O ESTADO A SÉCULOS TEM INSENÇÃO.


Não tenho alma de grego

Não sou internacional

Sou geração internet

Porém, não sou uma alienada global

Amo meu país

Sabe quem é o meu país?

O gari que varre a rua

O ambulante que enfrenta o sol e a lua

Heróis!

Sou a favor da brincadeira de roda

E também da moça que brinca de moda

Sou eu o passado e o futuro

Sou atitude humana

Humilde

Quem se escandalizar

Que atirem em mim

Não estou nem aí para o que falam.

Poesia é fogo

Fogo ilógico

Fogo que não se vê

Mas sente

Fogo que cura

Fogo que deixa doente

Fogo que acalma

Fogo que deixa sem trauma

Poesia, escancara a alma.

PARA O HAITI






Poderia ser qual quer lugar.
Mas, a tragédia toda aconteceu lá
[Haiti]
Poderia ser seu parente,
Seu amigo mais chegado,
Seu pai,
Seu irmão.
Poderia ser seu país.
Nós como humanidade devemos ter comunhão.
Por que não quebrar as barreiras internacionais?
[Fronteiras]
A terra não deveria ter dono...
Como gostaria de voltar ao Éden,
Todos lá sim eram comum.
A comida nascia do chão,
Sem precisar de muito esforço
De muita poluição.
Lá ninguém tinha possessão.
Lá realmente éramos livres
E com deus tínhamos comunhão.
Lá não havia morte
[O homem era eterno]
Não havia dor,
Nem lágrima,
Nem ambição.
Tenho esperança que um dia meu Senhor volte,
E me transcenda novamente ao Éden.