MINHA RUA

A rua já foi florida.
Havia pássaros.
Crianças a brincar de corrida.
A rua um dia já teve paz.
As pessoas não tinham na rua
Atitudes de animais.
Na rua qualquer velho que estivesse
Na esquina era meu avó.
Na rua qualquer homem voltando
Do trabalho no fim de tarde era
Meu tio.
Lembro da minha rua infantil.
Com carinho.
Hoje a rua é um lugar redil.
Cavalos desenfreados.
Bêbados com idade madura,
Poderiam ser meu avô a urinar na rua.
O que a rua se tornou?
As calçadas ocupadas com bares.
Mulheres que antes seriam recatas
Que cuidariam de sua vida, trocando- se
Por nada.
Hoje, ando com mil olhos na rua.
Não sei o que pode reservar-me o
Caminho mais adiante.
Na rua não se pode sorrir, nem andar
Como dantes.
Hoje só restou à rua,
A violência.
A bebedice,
A velocidade, e coisas banais.
A rua hoje não é nada.
E não há mais nada da minha rua
Infantil.

3 comentários:



psvas2@walla.com disse...

Déia sentimentos tão melancólicos hem, será que há algum jeito de melhorar esta sua visão? Mas, é só uma poesia que retrata um sentimento unilateral verdadeiro.

Pedro Vasconcelos

Déia Poeta disse...

Pedro, você sabe que sua opinião é muito importante para mim, agradeço muito pelo seu comentário!
Sobre ele tenho que reconhecer, que gostaria de escrever mais sobre flores, céu, essas coisas. gostaria de não ser tão melancólica, mas a realidade é assim, não de todo, mais é.
E não sei se feliz ou infelizmente é a empatia que alimenta minhas poesias.

George disse...

Esse são os frutos colhidos com esse suposto avanço ao qual a humanidade está atingindo.
Mesmo não tendo uma visão niilista (creio que ainda possamos alcançar uma mudança benéfica para esta nossa sociedade), o que parece é que a tendência é só piorar. Mas, esperemos e lutaremos por algo melhor.