FUTILIDADES



Vivo em um mundo sintético.

Que os sentimentos são estéticos.

A comida é transgénica.

E as línguas pluridialéticas.

O homem parece com a sombra.

O homem parece com o plástico.

E tudo parece fantástico.

A fome.

O tráfico.

A pedra de craque.

A cocaína com talco.

O amor virou mercadoria.

E o homem virou lunático.

A impunidade desfila em cada periferia.

E a corrupção pousa no planalto.

Eu louca ainda escrevo.

Esqueço que ninguém quer saber.

Tenho que preocupar-me com minha própria vida.

O mundo se resumiu...

Ao narcisista.

Ao egoísta.

Ao vigarista.

A má mídia.

A má justiça.

A má política.

E eu em meu mundo vil.

Sou apenas uma jovem utópica que pensa de mais,

e que transcende ao aparente.

CONSTRANGIMENTO




Meu país me constrange.

Me faz questionar.

A cada dia gente perdida.

A andar para lá e para cá.

Sem saber aonde ir.

Gente bandida?



É incrível.

Há um contraste,

Existem dois Brasis.



E...



Existe um Brasil que não faço parte.

Um Brasil de luxo.

De grandiosas mansões.

O perfil de seus donos;

Branco, geralmente,

Ter nascido com uma herança.

Participam de festas requintadas.

Geralmente viajam em cruzeiros.



O outro Brasil...

É aquele que pela escala social o José e a Maria estão propícios.

O perfil desses homens e mulheres;

Negros, e miscigenados em sua grande maioria.

Acordam muito cedo,

Trabalham com atividades braçais,

São desrespeitados,

E por não terem estudo,

O conhecimento dos seus direitos são tratados como animais.



Nosso país tão diverso.

Tão plural, em injustiças sociais.

Do Oiapoque ao Chuí,

Só há interesses de políticos para estes levarem vantagem

e montanhas de dinheiro aos seus bolsos.



Do Oiapoque ao Chui

Quem rege são os interesses de manter o país pobre

para poder manipular o povo.



Como tudo é um ciclo.

Como a história se repete,

Mudam-se os séculos.

As épocas.

As tecnologias.

As estratégias.

Mas a intenção é a mesma.

Não formar um povo,

Mas, explorá-lo como o branco europeu fez.



Em minha terra.

Salvador, terra da alegria?

E na Bahia, onde temos maior quantitativo de miscigenados.



É lamentável.

O que fazem conosco.

Tornam-nos analfabetos atuantes.

Nos colocam em um lugar onde chamam de escola.

Me envergonho.

Que aprendi na escola?

Não sei contar, o quanto
A vida é complicada.


É um paradoxo eterno.



Se eu pudesse.
Tudo seria puro.


Não haveria conflitos.

Aí me vem uma grande frustração.

Porque nem tudo é como eu quero.

Porque tudo tem que ser assim?

Tudo é tão podre.

Não queria que as coisas tivessem um lado ruim.

Tudo contribui para que vivamos para um mundo mais depressivo.



Mas, o bem onde está?

Está em poucos homens que não se deixam corromper.

O mundo está encharcado de podridão.

E o que pesa na balança são as más ações.

Das qual o mundo já em convenção, pode dizer que é normal.

NADA APRENDEMOS



Meu Deus!

Pareciam urubus em cima de carniça.
Jamais vi algo assim.
Algo tão desigual.
Tão covarde e mesquinho.
Na noite ainda quente.
Iniciando o vazio.
Nada mais que um arrepio.
Onde vamos chegar?
Tanta violência...
O roubo em todos os lugares.
Parece selva!
Parecem animais, atacando a sua presa.
Só, e indefesa.
Um bando de leões, contra uma corsa solitária.
Estamos transformando-nos em animais.
Um ataque de vários humanos, a um humano.
Um ataque de vários animais, a uma presa.
O que estamos oferecendo aos nossos jovens?
Discriminação de uma cor, ainda quando nascem.
Discriminação de uma etnia.
Discriminação de uma condição social.
Empurrando-os para as drogas, à marginalidade.
Temos algumas centenas de anos.
Experiências que marcaram a humanidade,
Experiências que marcaram a história de nossa nação,
E nada aprendemos.

MUNDO CIBERNÉTICO




Nesse mundo cibernético tudo flutua.

Nesse mundo internético tudo se aproxima.

E se distancia.
Inclusive o amor.

Tudo nesse mundo virtual é solidão.

É isolar-se em fantasia.

Febre que vicia.

Que extasia.

Que nos torna insensíveis e longe de Deus.

De Deus...

De Deus?

De Deus!

De Deus.