CIRCO






Nada para fazer.
Nada para pensar.
Nada ficou onde deveria estar!
Nada para sorrir!
Nada para chorar!
A seca já chegou e a água onde estará?
Nada para chicanar.
Aqui parece circo,
Atrações!
O espetáculo aparece em todo lugar,
Não se sabe qual será o próximo capítulo de nossa aldisséia
.

OUTRA VERSÃO




Poderia ser uma história diferente.
Poderia ser um ser humano sem humilhação,
Poderia ser gente.
Homens sempre cruéis!
Enviam o filho de Deus para cruz,
Enviam o negro para o pelourinho.
O escravizam em um corpo branco de olhos azuis.
Escravizam a nós negros com modelos de brancos.
Prendem-nos nesse corpo esguio e estranho.
Maldizendo a nossa cor.
Maldizendo os nossos lábios.
Nos comparando a animais.
Maldizendo aos nossos hábitos.
Nós não somos exóticos,
Nem atração de circo!
Não temos corpos que só validam-se para prostituição.
Nós temos poder de opinar.
Temos ação!
Podemos quebrar essa máquina midial alienante.
Que com suas mensagens subliminares e lavagens celebrais,
Dizem como temos que guiar as nossas vidas.
Não quero prostituição como padrão!
Não quero valores que desmoralizam a família,
E incita o homem a trair e ser infiel.
Não quero o sistema que rege o mundo.
Que é injusto,
Que é discriminatório,
Que é hipócrita,
E cruel.

MENTE HUMANA




Ser humano criatura mutante,
Errante.
Existe para criar caminhos e possibilidades.
Criado para não está sozinho.
Expõe-se, driblando as dificuldades.
Fazendo o sonho torna-se realidade.
Dá tapa na cara da fome,
Lutando,
Trabalhando,
Avançando com tecnologias.
Para dizer não a morte,
Ou dizer sim?
Armas nucleares matam milhares.
Vírus que aparecem,
Não sabem de onde.
Mente humana que esconde?
Sutil,
Suntuosa,
Semelhante,
Silenciosa,
Sensível.

NOTA CEM





No final vai tudo bem.
No final nota cem.
Será que esse pensamento,
é aquele que nos empurra para o abismo?
Que faz o político dar o sorriso de cinismo?
Que faz nos acomodarmos com o que já foi conquistado?
Então, melhor despertar,
Antes que a frustração, a perca venha.

CONTRA CORRENTE



Uma timidez ignorante,
Não por causa da arrogância.
Porém, uma ignorância humilde.
Simples.
Adulto que parece criança.
De uma pureza tamanha.
Que até então só prevalecem os instintos.
Por causa da alienação.
E a falta de oportunidade.
Assim mesmo têm alguns que tentam.
Ir contra a corrente.
Sair da letargia.
Erguendo a cabeça.
Superando toda expectativa,
Póstuma.
Que quer empurrá-los para o buraco.

ALIENANTES E ALIENADOS






A classe subordinada,
É tratada sem respeito,
Assim, o que predomina,
É uma sociedade alienada,
E alienante.

CRIATURA






Dinheiro extraviado.
Negligência hospitalar.
É a marca de nossa sociedade.
Sociedade do século XXI.
Ser humano.
A cada dia menos humano.
E mais ser...
Ser, irracional.
Ser, obsoleto.
Criatura fruto de uma sociedade,
Em prol do progresso.
Do material.
Afastando-se a cada minuto de valores,
Que o torna terno.
Criatura, que de forma hipócrita todos ignoram,
Criatura, que reflete o espelho do avanço.
E ninguém quer enxergar.
Criatura, que consome os próprios filhos.
Que se deita com sua própria mãe.
E trai sua essência
E a si próprio.

SER HUMANO RUIM




Será que ninguém mais se importa?
Tudo acabará assim, ser humano ruim?
Marginalizados.
Com egocentrismo que reina nas almas
desse século.
Deixando-os entretidos entre si.
Marcados com suas doenças psicossomáticas.
Porque é necessário o ter?
É necessário não importar-se mais.
É necessário de forma maquiada, pungir-se da paz.
É necessário esquecer.
Estar aquém da essência
Do ser.

PAÍS CAPITALISTA



País capitalista que impõe,
Seus filhos a estatísticas.
Desemprego.
Violência.
Indecência.
Suas crianças excluídas.
Se não tem dinheiro...
Condenadas ao analfabetismo.
A falta de cultura.
Ruptura com o futuro.
Desperdícios de talentos.
E muitos heróis se perdendo.
Ou simplesmente sendo podados.
Brasil tu que és viril.
Vomites os vermes que sugam suas forças.
Que te entrelaçam em corrupções.
Pensam que acabará tudo em pizza.
E sairá com o bolso cheio de milhões!
Brasil tu que és capitalista.
Não peço que mude de doutrina.
Já que essa é a sua essência.
E uma doença irremediável.
Mas um pouco mais de justiça.


CARNAVAL




Sete dias de alegria.
Dias de esquecimento dos problemas.
Dias de fantasias.
E radiografias...
Estupros.
Vícios.
Orgias precoces.
Cegueira!
Todos prostrados
Ao deus carnaval...
E no seu quintal o lixo fedido.
A seca.
A corrupção.
A fome.
Medidas provisórias.
Enquanto isso...
Na Carlos Gomes.
Castro Alves.
Campo Grande.
Barra.
Todos sambam.
Tudo vai às mil maravilhas.

POLÍTICA DE LADRÃO




Ócio coletivo.
Políticas deprimentes.
Humilhação.
Comodismo...
Comodismo de uma nação.
Há tempos Castro Alves falava,
E nos convocava para luta.
Lutar dar a entender competição.
Se vamos competir.
Que seja contra a corrupção.
Contra a política de ladrão.
Não daremos o braço a torcer ao diabo.
Mas, andemos de mãos dadas com a justiça,
Que é primícia de uma sociedade?
Estou cansada de me verem como idiota,
E covarde.
O poder está nas mãos de alguns?
Não creio!
Está nas mãos de todos.
Vamos dar força ao nosso gigante.
Para que as pequenas formigas,
Corruptas, não prossigam.

SINDROME DO PÂNICO




Apática a tudo.
Anestesiada a dor.
Revoltada com a injustiça.
Com a resposta na ponta da língua.
Onde está a inocência?
Parece que a malandragem.
A desconfiança.
A maldade.
Tem se sobreposto.
Corrupção.
O casco tem emergido.
Sentir-se só.
Ao sair com quem há de contar?
Fechar.
Para não ser atingido por balas.
Para que os ladrões não entre.
Para que os mísseis não destruam...
Não destruam a gente.
Se trancar a solução mais convincente.
Não quero me trancar.
O mundo é meu.
Não quero ficar em uma caixa de fósforos.
Porque o mundo é grande.
Não quero aceitar o que a guerra civil,
E os governantes querem impor.
Por que perder as esperanças, se posso lutar?
Não vou me entregar.
Verei a transformação.
Nem que seja com minhas mãos.

CAPITALISMO



Capitalismo
Capitalismo imoral.
Escravista.
Dissocia.
É febre.
É o mal.
A selvageria animal.
Injusto.
Faz aflorar o consumismo.
O modismo.
O animalesco.
Faz o homem voltar ao primitivismo.
Competir para viver.
Selva de pedra.
Se esconder atrás de árvores.
Arranha céus.
É matar ou morrer.
Porque tenho que vestir?
Comer?
Beber?
Porque tenho que ser?
Aprendi a me libertar
Sou livre.
Como se eu quiser.
Bebo de quiser.
Fôdo se eu quiser.
Por que tem que ser como eles querem?

POVO BRASILEIRO




Passado, presente.
Fazem parte da vida.
São pedaços da gente.
Que gente?
Gente ferida.
Gente esperançosa,
Com seu presente.
Gente que sempre enganada.
Tudo se fez gente,
Em baixo dos panos.
Enganos que nos ilude.
Gente que tem cicatrizes, mas não abre mão da vida.
Gente que crê.
Gente que prevalece.
Gente que vai até a sangria.
Gente que é igual a gente.
Gente nacionalista.
Gente que é do Brasil.
O brasileiro.

MOMENTOS FINAIS



Quero que seja abreviado o dia.
Em que todos os homens serão iguais.
Talvez, seja uma utopia.
Mas, talvez possa ver.
Em meus momentos finais.
Não quero ver o ser humano.
Terminar discriminando.
Ou sendo discriminado.
Sou negra!
Quero quebrar todos os estigmas.
Desejo quebrar todos os paradigmas.
Negro não é inclusão.
Negro não é exclusão.
Negro é ser humano.
Branco é ser humano.
Índio é ser humano.
Não quero facilidade.
Nem dificuldade.
Sim a igualdade.
Dignidade.

ALIENAÇÃO



Tanta gente na rua!
Mendicância, orgias, loucuras.
E um fulano de tal,
Quer que eu compre.
Quer que eu coma.
Quer que eu vista.
Quer que eu beba.
Quer que eu fôda.
Tudo é loucura.
Tudo é manipulação.
Tudo tão desigual.
Não quero fechar os olhos.
Quero transformar.
Quero ver um mundo mais humano.
Que cada um perceba que tem um potencial.
Todos têm o seu valor.

CORAÇÃO DE CRIANÇA




Tem uma ira em mim.
Por ver tanta injustiça e intolerância.
Os homens deveriam ter coração de criança.
Não para serem enganados.
Mas, a fim de terem equilíbrio.
Para simplesmente sorrir.

MENSALÃO

Para onde olhar?
Clamo a Deus!
Ser humano?!
Ladrão de salsicha no mercado que são socados.
E ladrões no congresso, com mensalão, que roubam milhões.
Há um grito nessa nação:
Oportunidade, educação, políticas públicas populares!
Ó Deus, o quanto, os homens podem ser cruéis?
Ficam atrás de índices e papéis,
Rainhas e reis.
Mutuamente criticam-se, mas, por trás dos bastidores são compadres e fregueses.
Quanto mais poder, mais enganadores.
Sei que homem algum é perfeito.
No entanto, tem que haver um limite.
Um caráter no peito, que os habilitem.
Aliás, quem foi que os puseram como governantes e comandantes,
de um navio que querem navegar?
Que governantes são esses?
Que possuem iscas nas mãos.
Línguas com persuasão.
E ferrões como escorpiões
Para massacrar e matar.

APOSTA




Foi tudo brincadeira.
Foi tudo piada.
Foi apenas uma aposta.
Foram apenas risos.
Minha vida ou é um drama.
Ou é uma comédia.
Tudo que acontece.
São apenas eventos isolados.
Nada combinado.
E a vida vai passando.
E eu vou vivendo.

SOFRO




Minha intensidade dói.
Sofro com cada sentimento.
Sofro com tanta sensibilidade.
Sofro e me alegro de verdade.
Sofro por ter tanta ansiedade.
Sofro por ter tanta ambiguidade.
Em um momento sofro e em
Outro vibro de felicidade.

ESPÍRITO





Tudo o que quero é olhar no teu rosto e não ter medo,
nem receios.
Quero olhar no teu rosto sem sentir uma mínima culpa.
Quero lhe dar a mão e por nada lhe pedir desculpas.
Quero encostar nos teus ombros.
Sentir seu afago.
Seu carinho de pai que dar sua vida pelo filho.
Quero dormir e acordar em paz, tranquilo.
Sem sequelas.
Sem desânimos.
Sem um frio no meu espírito.
Quero acordar com a melodia que flui de ti
para mim.