SANGUE DE BARATA


Brasileiro tem que ter sangue de barata.
Brasileiro só pode ser idiota...
Porque nossos políticos nos ironizam todos os dias.
Alianças bastardas,
Alianças incestuosas.
Discursos inflamados que juram pelos seus filhos inocência nos
palanques [ palcos] de Brasília .
Senhores, eu amo meu Brasil.
Sou defensora dos meus ideais.
Mas, a correnteza que nós [povão] enfrentamos todos os dias
está se transformando em mar de sangue.
Punição radical é o que clama a sociedade!
Não quero ver mais esses capitães a guiar novamente nosso navio.
Não quero só impitchman a exemplo de uma “color” que voltou a pintar [aparecer]
no planalto.
Quero cassação perpétua.
Não quero vê-los mais lá,
E se possível cadeira elétrica para eles.
Por quê?
Está com pena deles?
Milhares de jovens morrem nas esquinas com craque,
[Alguém tem misericórdia?]
Por falta de educação,
[Alguém tem misericórdia?]
Super população nas cadeias,
[Alguém tem misericórdia?]
Falta de planejamento familiar,
[Alguém tem misericórdia?]
Falta de opção para nossa população,
[Alguém tem misericórdia?]
Falta de igualdade social.
[Alguém tem misericórdia?]
Estamos morrendo aos poucos...
[Alguém tem misericórdia?]
A obrigação deles: Serem honestos.
Queremos uma resposta povo?
Então, busque seus direitos,
Mas não esqueça dos seus deveres.

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA


Pão e circo para o povo!
Cerveja e carnaval [festa] para os baianos...
Consciência negra!
Consciência de quê?
Apenas um dia que não tem acrescentado.
Não tem instruído.
Então, nós negros caímos nas mãos dos que se venderam.
Festa para turista ver.
Onde realmente sobra a consciência?
No copo de cerveja?
No beijo de língua dado na esquina pela menina que estava na
passeata.
Onde está a consciência ?
Só reproduzimos o que o sistema realmente nos impôs.
O que se sobrepõe é a falta de consciência,
De memória.
Cai no esquecimento todos que realizaram realmente algo em prol
da causa.
Ninguém viu palestras sobre nossos antecessores.
Cursos de valorização da auto estima nas periferias para nossas
crianças e jovens.
Se sim,
Apenas eventos isolados e não divulgados.
Apenas a falta de memória.
Falta de educação.
Engarrafamento nas ruas da liberdade,
como época de eleição.
É melhor termos consciência de verdade,
E deixarmos de tantas demagogias caso contrário essa data
Apenas será mais uma de tantas que nada significa no nosso país.
Se não,
Ninguém lembrará um dia que em cada pedaço dessa cidade ficaram
um pedaço de mim.

CONTRADIÇÃO SOCIAL


No inicio desta semana pela manhã assisti um programa desses de revista eletrônica, de uma grande rede de televisão.


E eles estavam abordando o tema: A sexualidade na adolescência, com um famoso doutor especialista na área.


Neste programa a apresentadora vinha com um discurso em defesa da adolescência, dos valores da familia, limites que devem ser postos, abordou a questão da influência da mídia etc.


E, abordavam um episódio que tinha ocorrido em uma escola em que três alunos estavam tendo relação sexual no banheiro da instituição,


Mas, nesta mesma emissora de TV possui um seriado em que uma personagem tem dois namorados e consequentemente mora com os dois na mesma casa, dormem na mesma cama e infere-se que devem os três praticarem sexo, pois sabemos que a forma de namoro deste século não é só beijinho e abraço.


Assim, podemos ver a grande contradição social que nós vivemos. Ao mesmo tempo que não queremos que os nossos adolescentes "transem" no banheiro da escola, tendo limites, valores e responsabilidade. Mostramos para eles através de personagens na TV ( os quais tem caracteristicas que eles se identificam, pois se vestem como adolescentes com roupas fashions). Mostrando que é normal ou aceitável ter dois namorados, deixo a questão: Como podemos entender essa sociedade?

MINHA RUA

A rua já foi florida.
Havia pássaros.
Crianças a brincar de corrida.
A rua um dia já teve paz.
As pessoas não tinham na rua
Atitudes de animais.
Na rua qualquer velho que estivesse
Na esquina era meu avó.
Na rua qualquer homem voltando
Do trabalho no fim de tarde era
Meu tio.
Lembro da minha rua infantil.
Com carinho.
Hoje a rua é um lugar redil.
Cavalos desenfreados.
Bêbados com idade madura,
Poderiam ser meu avô a urinar na rua.
O que a rua se tornou?
As calçadas ocupadas com bares.
Mulheres que antes seriam recatas
Que cuidariam de sua vida, trocando- se
Por nada.
Hoje, ando com mil olhos na rua.
Não sei o que pode reservar-me o
Caminho mais adiante.
Na rua não se pode sorrir, nem andar
Como dantes.
Hoje só restou à rua,
A violência.
A bebedice,
A velocidade, e coisas banais.
A rua hoje não é nada.
E não há mais nada da minha rua
Infantil.

ENUNCIAÇÃO


Ando pela cidade que brilha
Com suas estrelas-lâmpada.
Ando pela cidade barulhenta
Leio a cidade
Interpreto a cidade
Vejo vários personagens
Personagem mendigo
Personagem luxo
Personagem lixo
Tantas vidas.
Da mesma forma que eu.
Vida egoísta.
Que tenta buscar de forma autônoma
Só o melhor para si.
Tenho inveja das iniciativas dos sub-lideres.
Que atuam em sua comunidade.
Enquanto isso na cidade...
Bala perdida, violência que sorri,
O susto na esquina.

PIADA DRAMÁTICA



Algumas vidas parecem piadas.

Algumas vidas parecem novelas.

Algumas vidas dão risadas, com fome na panela.

Algo parece anormal.

Algo parece mais, ou menos tridimensional.

Tudo é muito louco,

Sem sustento.

Tudo é muito cético
Sem alimento.

Muitos levam a vida de forma inconseqüente.

Mas, tenho algo a dizer.

Sustente-se

Responsabilize-se

Medite.

Agüente.

Tem pressões que são para serem suportadas,

no entanto, o nosso amigo tempo,

bendito tempo, depois dele vem o alívio.

FUTILIDADES



Vivo em um mundo sintético.

Que os sentimentos são estéticos.

A comida é transgénica.

E as línguas pluridialéticas.

O homem parece com a sombra.

O homem parece com o plástico.

E tudo parece fantástico.

A fome.

O tráfico.

A pedra de craque.

A cocaína com talco.

O amor virou mercadoria.

E o homem virou lunático.

A impunidade desfila em cada periferia.

E a corrupção pousa no planalto.

Eu louca ainda escrevo.

Esqueço que ninguém quer saber.

Tenho que preocupar-me com minha própria vida.

O mundo se resumiu...

Ao narcisista.

Ao egoísta.

Ao vigarista.

A má mídia.

A má justiça.

A má política.

E eu em meu mundo vil.

Sou apenas uma jovem utópica que pensa de mais,

e que transcende ao aparente.

CONSTRANGIMENTO




Meu país me constrange.

Me faz questionar.

A cada dia gente perdida.

A andar para lá e para cá.

Sem saber aonde ir.

Gente bandida?



É incrível.

Há um contraste,

Existem dois Brasis.



E...



Existe um Brasil que não faço parte.

Um Brasil de luxo.

De grandiosas mansões.

O perfil de seus donos;

Branco, geralmente,

Ter nascido com uma herança.

Participam de festas requintadas.

Geralmente viajam em cruzeiros.



O outro Brasil...

É aquele que pela escala social o José e a Maria estão propícios.

O perfil desses homens e mulheres;

Negros, e miscigenados em sua grande maioria.

Acordam muito cedo,

Trabalham com atividades braçais,

São desrespeitados,

E por não terem estudo,

O conhecimento dos seus direitos são tratados como animais.



Nosso país tão diverso.

Tão plural, em injustiças sociais.

Do Oiapoque ao Chuí,

Só há interesses de políticos para estes levarem vantagem

e montanhas de dinheiro aos seus bolsos.



Do Oiapoque ao Chui

Quem rege são os interesses de manter o país pobre

para poder manipular o povo.



Como tudo é um ciclo.

Como a história se repete,

Mudam-se os séculos.

As épocas.

As tecnologias.

As estratégias.

Mas a intenção é a mesma.

Não formar um povo,

Mas, explorá-lo como o branco europeu fez.



Em minha terra.

Salvador, terra da alegria?

E na Bahia, onde temos maior quantitativo de miscigenados.



É lamentável.

O que fazem conosco.

Tornam-nos analfabetos atuantes.

Nos colocam em um lugar onde chamam de escola.

Me envergonho.

Que aprendi na escola?

Não sei contar, o quanto
A vida é complicada.


É um paradoxo eterno.



Se eu pudesse.
Tudo seria puro.


Não haveria conflitos.

Aí me vem uma grande frustração.

Porque nem tudo é como eu quero.

Porque tudo tem que ser assim?

Tudo é tão podre.

Não queria que as coisas tivessem um lado ruim.

Tudo contribui para que vivamos para um mundo mais depressivo.



Mas, o bem onde está?

Está em poucos homens que não se deixam corromper.

O mundo está encharcado de podridão.

E o que pesa na balança são as más ações.

Das qual o mundo já em convenção, pode dizer que é normal.

NADA APRENDEMOS



Meu Deus!

Pareciam urubus em cima de carniça.
Jamais vi algo assim.
Algo tão desigual.
Tão covarde e mesquinho.
Na noite ainda quente.
Iniciando o vazio.
Nada mais que um arrepio.
Onde vamos chegar?
Tanta violência...
O roubo em todos os lugares.
Parece selva!
Parecem animais, atacando a sua presa.
Só, e indefesa.
Um bando de leões, contra uma corsa solitária.
Estamos transformando-nos em animais.
Um ataque de vários humanos, a um humano.
Um ataque de vários animais, a uma presa.
O que estamos oferecendo aos nossos jovens?
Discriminação de uma cor, ainda quando nascem.
Discriminação de uma etnia.
Discriminação de uma condição social.
Empurrando-os para as drogas, à marginalidade.
Temos algumas centenas de anos.
Experiências que marcaram a humanidade,
Experiências que marcaram a história de nossa nação,
E nada aprendemos.

MUNDO CIBERNÉTICO




Nesse mundo cibernético tudo flutua.

Nesse mundo internético tudo se aproxima.

E se distancia.
Inclusive o amor.

Tudo nesse mundo virtual é solidão.

É isolar-se em fantasia.

Febre que vicia.

Que extasia.

Que nos torna insensíveis e longe de Deus.

De Deus...

De Deus?

De Deus!

De Deus.

CIRCO






Nada para fazer.
Nada para pensar.
Nada ficou onde deveria estar!
Nada para sorrir!
Nada para chorar!
A seca já chegou e a água onde estará?
Nada para chicanar.
Aqui parece circo,
Atrações!
O espetáculo aparece em todo lugar,
Não se sabe qual será o próximo capítulo de nossa aldisséia
.

OUTRA VERSÃO




Poderia ser uma história diferente.
Poderia ser um ser humano sem humilhação,
Poderia ser gente.
Homens sempre cruéis!
Enviam o filho de Deus para cruz,
Enviam o negro para o pelourinho.
O escravizam em um corpo branco de olhos azuis.
Escravizam a nós negros com modelos de brancos.
Prendem-nos nesse corpo esguio e estranho.
Maldizendo a nossa cor.
Maldizendo os nossos lábios.
Nos comparando a animais.
Maldizendo aos nossos hábitos.
Nós não somos exóticos,
Nem atração de circo!
Não temos corpos que só validam-se para prostituição.
Nós temos poder de opinar.
Temos ação!
Podemos quebrar essa máquina midial alienante.
Que com suas mensagens subliminares e lavagens celebrais,
Dizem como temos que guiar as nossas vidas.
Não quero prostituição como padrão!
Não quero valores que desmoralizam a família,
E incita o homem a trair e ser infiel.
Não quero o sistema que rege o mundo.
Que é injusto,
Que é discriminatório,
Que é hipócrita,
E cruel.

MENTE HUMANA




Ser humano criatura mutante,
Errante.
Existe para criar caminhos e possibilidades.
Criado para não está sozinho.
Expõe-se, driblando as dificuldades.
Fazendo o sonho torna-se realidade.
Dá tapa na cara da fome,
Lutando,
Trabalhando,
Avançando com tecnologias.
Para dizer não a morte,
Ou dizer sim?
Armas nucleares matam milhares.
Vírus que aparecem,
Não sabem de onde.
Mente humana que esconde?
Sutil,
Suntuosa,
Semelhante,
Silenciosa,
Sensível.

NOTA CEM





No final vai tudo bem.
No final nota cem.
Será que esse pensamento,
é aquele que nos empurra para o abismo?
Que faz o político dar o sorriso de cinismo?
Que faz nos acomodarmos com o que já foi conquistado?
Então, melhor despertar,
Antes que a frustração, a perca venha.

CONTRA CORRENTE



Uma timidez ignorante,
Não por causa da arrogância.
Porém, uma ignorância humilde.
Simples.
Adulto que parece criança.
De uma pureza tamanha.
Que até então só prevalecem os instintos.
Por causa da alienação.
E a falta de oportunidade.
Assim mesmo têm alguns que tentam.
Ir contra a corrente.
Sair da letargia.
Erguendo a cabeça.
Superando toda expectativa,
Póstuma.
Que quer empurrá-los para o buraco.

ALIENANTES E ALIENADOS






A classe subordinada,
É tratada sem respeito,
Assim, o que predomina,
É uma sociedade alienada,
E alienante.

CRIATURA






Dinheiro extraviado.
Negligência hospitalar.
É a marca de nossa sociedade.
Sociedade do século XXI.
Ser humano.
A cada dia menos humano.
E mais ser...
Ser, irracional.
Ser, obsoleto.
Criatura fruto de uma sociedade,
Em prol do progresso.
Do material.
Afastando-se a cada minuto de valores,
Que o torna terno.
Criatura, que de forma hipócrita todos ignoram,
Criatura, que reflete o espelho do avanço.
E ninguém quer enxergar.
Criatura, que consome os próprios filhos.
Que se deita com sua própria mãe.
E trai sua essência
E a si próprio.

SER HUMANO RUIM




Será que ninguém mais se importa?
Tudo acabará assim, ser humano ruim?
Marginalizados.
Com egocentrismo que reina nas almas
desse século.
Deixando-os entretidos entre si.
Marcados com suas doenças psicossomáticas.
Porque é necessário o ter?
É necessário não importar-se mais.
É necessário de forma maquiada, pungir-se da paz.
É necessário esquecer.
Estar aquém da essência
Do ser.

PAÍS CAPITALISTA



País capitalista que impõe,
Seus filhos a estatísticas.
Desemprego.
Violência.
Indecência.
Suas crianças excluídas.
Se não tem dinheiro...
Condenadas ao analfabetismo.
A falta de cultura.
Ruptura com o futuro.
Desperdícios de talentos.
E muitos heróis se perdendo.
Ou simplesmente sendo podados.
Brasil tu que és viril.
Vomites os vermes que sugam suas forças.
Que te entrelaçam em corrupções.
Pensam que acabará tudo em pizza.
E sairá com o bolso cheio de milhões!
Brasil tu que és capitalista.
Não peço que mude de doutrina.
Já que essa é a sua essência.
E uma doença irremediável.
Mas um pouco mais de justiça.


CARNAVAL




Sete dias de alegria.
Dias de esquecimento dos problemas.
Dias de fantasias.
E radiografias...
Estupros.
Vícios.
Orgias precoces.
Cegueira!
Todos prostrados
Ao deus carnaval...
E no seu quintal o lixo fedido.
A seca.
A corrupção.
A fome.
Medidas provisórias.
Enquanto isso...
Na Carlos Gomes.
Castro Alves.
Campo Grande.
Barra.
Todos sambam.
Tudo vai às mil maravilhas.

POLÍTICA DE LADRÃO




Ócio coletivo.
Políticas deprimentes.
Humilhação.
Comodismo...
Comodismo de uma nação.
Há tempos Castro Alves falava,
E nos convocava para luta.
Lutar dar a entender competição.
Se vamos competir.
Que seja contra a corrupção.
Contra a política de ladrão.
Não daremos o braço a torcer ao diabo.
Mas, andemos de mãos dadas com a justiça,
Que é primícia de uma sociedade?
Estou cansada de me verem como idiota,
E covarde.
O poder está nas mãos de alguns?
Não creio!
Está nas mãos de todos.
Vamos dar força ao nosso gigante.
Para que as pequenas formigas,
Corruptas, não prossigam.

SINDROME DO PÂNICO




Apática a tudo.
Anestesiada a dor.
Revoltada com a injustiça.
Com a resposta na ponta da língua.
Onde está a inocência?
Parece que a malandragem.
A desconfiança.
A maldade.
Tem se sobreposto.
Corrupção.
O casco tem emergido.
Sentir-se só.
Ao sair com quem há de contar?
Fechar.
Para não ser atingido por balas.
Para que os ladrões não entre.
Para que os mísseis não destruam...
Não destruam a gente.
Se trancar a solução mais convincente.
Não quero me trancar.
O mundo é meu.
Não quero ficar em uma caixa de fósforos.
Porque o mundo é grande.
Não quero aceitar o que a guerra civil,
E os governantes querem impor.
Por que perder as esperanças, se posso lutar?
Não vou me entregar.
Verei a transformação.
Nem que seja com minhas mãos.

CAPITALISMO



Capitalismo
Capitalismo imoral.
Escravista.
Dissocia.
É febre.
É o mal.
A selvageria animal.
Injusto.
Faz aflorar o consumismo.
O modismo.
O animalesco.
Faz o homem voltar ao primitivismo.
Competir para viver.
Selva de pedra.
Se esconder atrás de árvores.
Arranha céus.
É matar ou morrer.
Porque tenho que vestir?
Comer?
Beber?
Porque tenho que ser?
Aprendi a me libertar
Sou livre.
Como se eu quiser.
Bebo de quiser.
Fôdo se eu quiser.
Por que tem que ser como eles querem?

POVO BRASILEIRO




Passado, presente.
Fazem parte da vida.
São pedaços da gente.
Que gente?
Gente ferida.
Gente esperançosa,
Com seu presente.
Gente que sempre enganada.
Tudo se fez gente,
Em baixo dos panos.
Enganos que nos ilude.
Gente que tem cicatrizes, mas não abre mão da vida.
Gente que crê.
Gente que prevalece.
Gente que vai até a sangria.
Gente que é igual a gente.
Gente nacionalista.
Gente que é do Brasil.
O brasileiro.

MOMENTOS FINAIS



Quero que seja abreviado o dia.
Em que todos os homens serão iguais.
Talvez, seja uma utopia.
Mas, talvez possa ver.
Em meus momentos finais.
Não quero ver o ser humano.
Terminar discriminando.
Ou sendo discriminado.
Sou negra!
Quero quebrar todos os estigmas.
Desejo quebrar todos os paradigmas.
Negro não é inclusão.
Negro não é exclusão.
Negro é ser humano.
Branco é ser humano.
Índio é ser humano.
Não quero facilidade.
Nem dificuldade.
Sim a igualdade.
Dignidade.

ALIENAÇÃO



Tanta gente na rua!
Mendicância, orgias, loucuras.
E um fulano de tal,
Quer que eu compre.
Quer que eu coma.
Quer que eu vista.
Quer que eu beba.
Quer que eu fôda.
Tudo é loucura.
Tudo é manipulação.
Tudo tão desigual.
Não quero fechar os olhos.
Quero transformar.
Quero ver um mundo mais humano.
Que cada um perceba que tem um potencial.
Todos têm o seu valor.

CORAÇÃO DE CRIANÇA




Tem uma ira em mim.
Por ver tanta injustiça e intolerância.
Os homens deveriam ter coração de criança.
Não para serem enganados.
Mas, a fim de terem equilíbrio.
Para simplesmente sorrir.

MENSALÃO

Para onde olhar?
Clamo a Deus!
Ser humano?!
Ladrão de salsicha no mercado que são socados.
E ladrões no congresso, com mensalão, que roubam milhões.
Há um grito nessa nação:
Oportunidade, educação, políticas públicas populares!
Ó Deus, o quanto, os homens podem ser cruéis?
Ficam atrás de índices e papéis,
Rainhas e reis.
Mutuamente criticam-se, mas, por trás dos bastidores são compadres e fregueses.
Quanto mais poder, mais enganadores.
Sei que homem algum é perfeito.
No entanto, tem que haver um limite.
Um caráter no peito, que os habilitem.
Aliás, quem foi que os puseram como governantes e comandantes,
de um navio que querem navegar?
Que governantes são esses?
Que possuem iscas nas mãos.
Línguas com persuasão.
E ferrões como escorpiões
Para massacrar e matar.

APOSTA




Foi tudo brincadeira.
Foi tudo piada.
Foi apenas uma aposta.
Foram apenas risos.
Minha vida ou é um drama.
Ou é uma comédia.
Tudo que acontece.
São apenas eventos isolados.
Nada combinado.
E a vida vai passando.
E eu vou vivendo.

SOFRO




Minha intensidade dói.
Sofro com cada sentimento.
Sofro com tanta sensibilidade.
Sofro e me alegro de verdade.
Sofro por ter tanta ansiedade.
Sofro por ter tanta ambiguidade.
Em um momento sofro e em
Outro vibro de felicidade.

ESPÍRITO





Tudo o que quero é olhar no teu rosto e não ter medo,
nem receios.
Quero olhar no teu rosto sem sentir uma mínima culpa.
Quero lhe dar a mão e por nada lhe pedir desculpas.
Quero encostar nos teus ombros.
Sentir seu afago.
Seu carinho de pai que dar sua vida pelo filho.
Quero dormir e acordar em paz, tranquilo.
Sem sequelas.
Sem desânimos.
Sem um frio no meu espírito.
Quero acordar com a melodia que flui de ti
para mim.




VISÃO


Eu te vejo ao longe e te dou adeus.
Mais não quero ir.
Não quero virar as costas.
Não quero te esquecer.
Quero acordar contigo a cada amanhecer.
E ver teu lindo sorriso através do brilho do sol,
Através do canto dos pássaros.
Ver o seu poder através de uma leve neblina
Que nubla sem querer o dia.
Não quero ir.
Não quero sumir.
Não quero virar as costas,
Partir.
Quero me aproximar, te dar um beijo
E contigo ser feliz.

SUCESSÃO




A cada dia tenho que tomar uma dose dessa droga que me
Incendeia por dentro.
Não preciso de seringa, é só aspirar e o ar entrar em meus pulmões
que ali está seu efeito.
Droga chamado sentimento.
Sentimento que nasceu eu um vão momento.
Que tira minha concentração.
Minha sobriedade.
Que me enche de uma louca coragem.
Que se transforma em precipitação.
Em ansiedade.
Em obstinação.
Em sufocação.
Em decepção.
Em solidão.
Porque com toda essa sequência é assim que
A história acaba.

SEDUÇÃO




Só foi sedução,
Olhares.
Profundos olhares que liam a minha alma
e traduziam o meu querer.
Por um momento foi paixão.
Atração,
Fatalidade,
Antropofagia.
Comer-te vivo.
Comer você.

CAÇADORA DE SOL




Eu caçadora de ilusões corro
Para cima e para baixo atrás de sol.
Atrás de algo que me faça normal.
Que faça sentido.
Que brilhe os meus olhos.
Que me fale ao ouvido.
Eu em mim mesma concreto, abstrato, incerto.
Pé no chão,
E poucas idealizações é o mais correto.

OLHAR



O seu olhar me atrai.
Me desvenda.
Penetra-me a alma.
Tira as vendas dos olhos.
Me retraio.
Me excito.
Me distraio.
Em mim grito.
Suplanto a minha razão e o infinito.

RECOMPENSA




Sou sutil.
A minha alma flui como um rio.
Rio e sorrio das ironias.
Das surpresas que a vida oferece.
Como posso em um dia estar triste.
E em um outro estar alegre.
Tudo há uma recompensa.
A recompensa do choro é o sorriso.
Da noite o dia.
Do silencio a melodia.
Do escuro a claridade.
E do meu amor à saudade.

O CAVALHEIRO E O DRAGÃO



Por um momento me senti como nas histórias medievais.
Por um momento me senti como nas histórias do dragão e
Do cavalheiro.
Toda vez que você a beijava.
Me golpeava.
Toda vez que você a beijava.
Me dilacerava.
Sentia-me como se tivesse uma espada entrando no meu
peito.
Me dilacerando.
Essa lâmina vinha e cortava todo meu alento.
Todo meu sustento.
Todo meu alimento.
E como planta sem água comecei a secar por dentro.

SOPRO




Chorar?
Você é adulta!
Ou você pensa que ele ouvirá o seu choro?
Que um sopro levá-lo-á até ele?
Que sentirá a tua falta
E entenderá o quanto o ama?
Apenas delírios, devaneios, loucura!
Em uma noite ele ouvirá outra voz que não que não é a sua.

DESPEDIDA




Existem coisas que agente não consegue entender nessa vida.
O amor que deveria dar certo e não deu.
A bala perdida.
A promessa que não aconteceu.
O vento que passou.
A criança que adulteceu.
O ente querido que morreu.
O martírio que corroeu.
Mas tem a hora de parar.
Apenas, palavras de necessidades.
Pois, se as coisas só fossem cientificas.
Mas, existem os sentimentos que nos humaniza.
Escravizam-nos, nos dominam.
Mas há questões que não queremos sentir, porém não temos escolha.

BANCO VELHO





Me ajude a catar os pedaços.
Me ajude a desamarrar esse laço.
Tire esse aperto do meu coração.
Seja meu herói.
Meu libertador, pois me sinto encarcerada em uma prisão.
Quero saber como é um dia ensolarado.
Quero ter a sensação de caminhar lado a lado.
Quero que o sol entre por esse quadrante.
Enquanto isso, estou aqui sentada em um banco velho
em um canto qualquer.

SÁBADO A NOITE



Ninguém quer saber da minha dor.
Ninguém quer saber o que sinto.
Até parece que minto.
Até parece que sou leprosa-vadia.
Que tenho uma doença que contagia.
Ninguém quer saber o que sinto.
Ninguém quer ser meu herói.
Ninguém me salva dessa dor que corrói.
Que me deixa em prantos.
Que joga pelos cantos.
Que me mutila.
E me deixa aos pedaços.
Ninguém quer saber.
Não tem ninguém para me ninar nos braços.
Me sinto um bebê.
Me sinto um débil a noite em frente a TV.

SONHO DE CINDERELA




As lembranças são fantasmas que me visitam.
Me fazer recordar de um passado que não vivi,
nem conquistei.
De um passado que em vão me esforcei.
Me enganei.
Por um vão momento achei...
E tornei minhas fantasias reais.
Mas são apenas ilusões.
Mentiras.
Novelas.
Sonho de Cinderela.
Sonho que virou drama.
Tempestade.
Um curta metragem que insiste em tempos
E tempos me faze-lo assistir.
Ele insiste e insiste em ressurgir.
Mas não sou tola.
Sou real.
Sou realista.
E nesta estrada da vida.
Busco novos horizontes e tento resistir.
Existem dias que estou fragilizada,
mas não deixo a peteca cair.

TRILHA SONORA



Eu pego meus pedaços por aí.
Alguém me viu?
Aonde foi que eu caí?
Caí ali na esquina.
Caí ali no olhar da menina
Caí, ao me apaixonar por você.
Caí no teu sorriso.
Caí no teu prestígio.
Caí no meu desejo.
Caí em desejar te dar um beijo.
Ali eu caí.
Quando te amei.
Quando simplesmente,
Tu viraste as costas.
Não entendi.
Não entendi porque não me amou!
Não entendi porque não voltou!
Não entendi porque não abriu a porta e entrou.
Não entendi porque não me beijou!
Não entendi porque não me abraçou!
Não entendi, porque me desejou.
Não entendi.
E agora percebo que estou longe.
E terei que me remodelar,
Terei que me recosturar.
Catar os meus pedaços no caminho.
Sabendo que ainda que esteja sozinha.
Sempre haverá uma melodia.
Sempre haverá uma trilha sonora que guiará minha vida,
E meu destino.

FIO DE ELETRICIDADE



Eu ando na rua vazia.
Não tem ninguém.
Procuro você...
Procuro você como neblina que espera pelo dia.
Pela luz do amanhecer.
Lá fora escuto apenas os cachorros latir.
As motos passeando para lá e para cá.
E algum bicho que não sei o nome zunindo.
E eu aqui, nessa rua vazia procurando você.
Você que espero tocar-me...
Tocar com seus lábios no meu coração.
No meu corpo.
E ardentemente me tirar da escuridão.
E me mostrar um fio de luz.
Um fio de alegria.
Um fio de escape.
Um fio de eletricidade.
Que equilibre meu coração.
Pois hoje, apenas, sou sequidão.
Hoje, apenas sou escuridão.
Sou amargura.
Sou fechada.
Hoje sou cara emburrada.
Mas quero te encontrar.
Para você me tocar lá no fundo.
Me tocar por dentro.
E me levar às nuvens.
E compartilhar com você um sorriso de
cumplicidade,
Um sorriso de desejo,
Um sorriso de amizade,
Um sorriso de amor.

PERSONAGEM




Vou pintar minha cara.
Vou por uma máscara.
Vou interpretar um personagem.
Vou esconder-me debaixo de uma capa de coragem.
Vou sorrir.
Vou vestir uma blindagem.
Para ao te encontrar fingir que está tudo bem.
Vá em frente!
Vá além!
E ao virar as costas me desmancho.
E me transformo uma simples flor do campo.

MOVIMENTO INVOLUNTÁRIO



Só consigo escrever o que sinto.
Virou costume.
Virou necessidade fisiológica.
Aqui expresso minhas idéias,
Alegrias,
Emoções,
Carências,
Ardências,
Fantasias.
O que enxergo.
O que não enxergo.
O aparente.
O dito .
E o não dito.
Portanto, de tanto escrever me sinto dormente.
Este ato transformou-se em movimento involuntário.

SORRISO




Ontem chorei por você.
Chorei, chorei até adormecer.
A lua saiu.
A madrugada bailou.
O sol apareceu.
E eu insatisfeita, meu amor.
A água caiu.
O céu se derramou.
A chuva se foi e a lama secou.
E eu estou aqui.
Onde está o meu amor?
Mas, ainda que doendo não posso parar.
Ainda que me arrastando tenho que continuar.
Quem sabe assim quando a sorte chegar.
E eu esteja inteira para nos olhos dela olhar.
E em um largo sorriso poder te encontrar.

DIVINO




Não sei o que fazer.
Está tudo tão confuso.
Sem você.
Tudo parece tão obscuro.
Meus anseios que nunca se saciam.
Atiro para todos os lados.
Corro para cima.
Para baixo.
Percebo que corro em círculos.
Como cão que brinca com o rabo.
Sem você...
Esqueci quem é você.
O seu sorriso.
Na verdade fui displicente.
Te perdi.
E não sei mais onde te encontrar.

TEMPESTADE



A tempestade expressa o burburim que está em mim.
A tempestade expressa a minha ansiedade.
A tempestade com seu cinza nublo,
Expressa a minha face.
A tempestade expressa o mundo e suas violências.
O homem não originou do macaco,
Mas da tempestade e dos vendavais.
Pois, os macacos não se matam mutuamente.
Mas, a tempestade e o vendaval esses são imparciais.
Inconseqüentes,
Desumanos.
E egoístas.
Não medem esforços para destruir.
Vai vendaval para bem longe de mim!